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Dica de livro:


WISLAWA SZYMBORSKA - Poemas (Companhia das Letras, 2011)

 



Ao visitar uma dessas grandes livrarias no centro de São Paulo a procura sei lá do quê, deparei-me como uma senhora de expressão profunda que tragava seu cigarro com ares de intelectual a lá Hilda Hilst, encontrei, mesmo sem saber o que queria, o que procurava.
Ali mesmo folhei suas páginas, o primeiro contato veio pela “A vida na hora”, a vida como uma recorrente estreia, sem prévia preparação, a angústia de estar em cena; e a plena certeza de que deveria levar aquele livro.
Wislawa exprime em muitos de seus poemas a consciência da transitoriedade humana, mesmo  despretensiosamente, faz da escrita seu recurso de eternidade: ' a vingança da mão mão mortal (Alegria da Escrita). Seus poemas caminham entre o sublime e o trivial, despojada de uma linguagem hermética, a poetisa imprime indagações sobre múltiplos temas – da guerra à biologia – , fazendo dos seus escritos tão únicos como seus dizeres sobre a vida, ' a vida é minha ocasião única' do poema Conversa com a pedra.

Com uma produção de cerca de 250 poemas e um prêmio Nobel de Literatura (1996) que lhe deu projeção mundial e rendeu um dos mais belos discursos que já li (O poeta e o mundo - Piauí_08 - http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-8/poesia/o-poeta-e-o-mundo), no Brasil temos apenas um exemplar traduzido pela Cia da Letras com 44 dos poemas de Wislawa.
Tida como tímida, melhor caracterizada como reservada, desbravou em poesia aos 20 poucos anos , trazendo em seus escritos o lirismo de indagação sobre a existência mundana e um abrangente do olhar sobre circunstâncias históricas arrebatadoras.

Uma alma ímpar, que nos abre às metáforas da vida, mas sem afetações, talvez um dom exímio de um verdadeiro poeta.


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